Eu nunca quis dominar o mundo. Queria ter uma parte dele. Só uma. Quando ainda era noite e não tinha barulho algum dava para ver como ele era grande. E então o tempo passava e eu lá no meu quarto, olhando pela janela e pensando em como faria, em como ia voar até as estrelas e gritar que o mundo era meu. Pensei que virar astronauta era a melhor forma de se conseguir isso. Só que astronautas são estranhos e não pensam nesse tipo de coisa, então desisti. Não podia simplesmente ir com um monte de astronautas para a lua e dizer que o mundo era meu, era tão fácil que provavelmente não daria certo.
Mas naquela tarde de Julho eu tive outra grande ideia, eu poderia voar até as estrelas e depois até a lua. Na verdade já tinha pensado nisso, mas antes não me parecia tão fácil, naquela tarde tudo ficou tão claro e fácil, eu poderia sim voar. Os pássaros voavam tão bem, porque eu não conseguiria. Me preparei.
Claro que eu tinha que ir para a escola naquela tarde de terça, mas eu não ia demorar, seria um voo calmo e rápido. Não era quente, nem frio. Era perfeito. Primeiro tive que arrumar uma mochila que não caísse com o impacto do vento, juntei alguns sanduíches, lanternas e tudo mais para minha grande viajem.
Procurei a árvore mais alta atrás da minha casa, achei. Era enorme, pensei em ir voando até em cima dela, mas não teria nenhuma emoção, era fácil demais, não queria assim. Subi. Foi difícil, cheguei lá em cima cansado. Sentei no galho mais grosso que achei e ali fiquei durante alguns minutos. O sol era forte e quente. Havia uma brisa, daquelas em dia de inverno. Tinha que ser agora, era perfeito. Abri os braços como se estivesse agarrando o mundo que seria meu, parecia um pássaro pronto para alçar voo. Estava pronto. Pulei.
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