sexta-feira, 18 de outubro de 2013

sábado, 13 de julho de 2013


Não me olhe
Eu não sei fingir perto de ti
A máscara diante do meu rosto cai
Ouço sua queda, seus pedaços agonizam no chão
Não sei se te olho fixamente ou fugo
Teu olhar não me deixa se mover
Sinto-me como se nunca tivesse lhe visto
Descubro...

Um fantasma, sem cor, sem cheiro.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Dentro de um sonho qualquer.

        Eu nunca quis dominar o mundo. Queria ter uma parte dele. Só uma. Quando ainda era noite e não tinha barulho algum dava para ver como ele era grande. E então o tempo passava e eu lá no meu quarto, olhando pela janela e pensando em como faria, em como ia voar até as estrelas e gritar que o mundo era meu. Pensei que virar astronauta era a melhor forma de se conseguir isso. Só que astronautas são estranhos e não pensam nesse tipo de coisa, então desisti. Não podia simplesmente ir com um monte de astronautas para a lua e dizer que o mundo era meu, era tão fácil que provavelmente não daria certo.
Mas naquela tarde de Julho eu tive outra grande ideia, eu poderia voar até as estrelas e depois até a lua. Na verdade já tinha pensado nisso, mas antes não me parecia tão fácil, naquela tarde tudo ficou tão claro e fácil, eu poderia sim voar. Os pássaros voavam tão bem, porque eu não conseguiria. Me preparei.
Claro que eu tinha que ir para a escola naquela tarde de terça, mas eu não ia demorar, seria um voo calmo e rápido. Não era quente, nem frio. Era perfeito. Primeiro tive que arrumar uma mochila que não caísse com o impacto do vento, juntei alguns sanduíches, lanternas e tudo mais para minha grande viajem.
Procurei a árvore mais alta atrás da minha casa, achei. Era enorme, pensei em ir voando até em cima dela, mas não teria nenhuma emoção, era fácil demais, não queria assim. Subi. Foi difícil, cheguei lá em cima cansado. Sentei no galho mais grosso que achei e ali fiquei durante alguns minutos. O sol era forte e quente. Havia uma brisa, daquelas em dia de inverno. Tinha que ser agora, era perfeito. Abri os braços como se estivesse agarrando o mundo que seria meu, parecia um pássaro pronto para alçar voo. Estava pronto. Pulei.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

                                                        INSÔNIA


"Não durmo, nem espero dormir.

 Nem na morte espero dormir.
 Espera-me uma insónia da largura dos astros,
 E um bocejo inútil do comprimento do mundo.
 Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
 Não posso escrever quando acordo de noite,
 Não posso pensar quando acordo de noite —
 Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!
 Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!
 Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
 E o meu sentimento é um pensamento vazio.
 Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
 — Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
 Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
 — Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
 Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
 E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.
 Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
 Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
 Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
 Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
 Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.
 Estou escrevendo versos realmente simpáticos —
 Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
 Versos a teimar em dizer isso,
 Versos, versos, versos, versos, versos…
 Tantos versos…
 E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!
 Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
 Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
 Uma abstracção de autoconsciência sem de quê,
 Salvo o necessário para sentir consciência,
 Salvo — sei lá salvo o quê…
 Não durmo. Não durmo. Não durmo.
 Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
 Que grande sono em tudo excepto no poder dormir!
 Ó madrugada, tardas tanto… Vem…
 Vem, inutilmente,
 Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta…
 Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
 Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
 Segundo a velha literatura das sensações.
 Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
 O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
 Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
 Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
 Vem, madrugada, chega!
 Que horas são? Não sei.
 Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
 Não tenho energia para nada, para mais nada…
 Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
 Sim, escritos no dia seguinte.
 Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.
 Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
 Paz em toda a Natureza.
 A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
 Exatamente.
 A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
 Costuma dizer-se isto.
 A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
 Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
 Exatamente. Mas não durmo."

(Insônia, Fernando Pessoa)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012


Mas sussurre devagar, de um lugar que eu possa lhe ouvir. Não se esconda, me fale o que deseja falar. Me mostre quem você deseja ser, mas me deixe descobrir quem realmente é. Sussurre durante a noite, embaixo das estrelas, de dentro do teu coração. Me fala das coisas que gosta de falar, dos teus sonhos, me conte teus desejos, me conte. 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Eu não paro dentro de mim.

           Eu não paro dentro de mim. No primeiro café uma nova pessoa deseja o que não tem, assumindo que quer o impossível, que quer deixar tudo para trás e viajar durante as estações. Conhecer o desconhecido, pular muros, dormir na praça e passar frio. No segundo café ela percebe que não quer viajar, ela quer ficar trancada no quarto com alguém, com livros e com ela mesma ouvindo aquela música que dá arrepios. Aquela dentro do quarto não aguenta mais ficar dentro do quarto, agora ela não sabe mais o que fazer e percebe que tudo gira tão depressa quanto os seus desejos. E nada mudou. O café esfriou, o quarto está no lugar, não tem banco de praça e nem frio. Mas ela tem todo o resto. 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

       Seus lábios, sua face, sua voz.
       Levante e pegue um café, por gentileza.
       Se sente e veja o pôr do sol.
       As vezes fica cinza.
       Cinza, sem cor, sem face, sem graça.
       Sem cheiros, sem ar, sem nada.
       Onde está o seu olhar?